Qual a diferença entre POC, Protótipo e MVP?

No processo de desenvolvimento e evolução de soluções, sempre chega o momento de validar se as ideias, conceitos e hipóteses que temos são realmente válidas. Muitas vezes as pessoas não sabem que existem diferentes formas de se atingir esse objetivos ou até mesmo precisam explicar para outras pessoas mais leigas a estratégia de validação adotada (isso acontece comigo quase que diariamente). Para ajudar, pensei numa analogia simples, que qualquer pessoa pode usar e nunca mais esquecer o que são, quais as diferenças e onde aplicar uma prova de conceito, um protótipo ou um MVP.


Vamos supor que meu objetivo final é ter uma bolaria! Nesse contexto o meu produto final a ser ofertado aos clientes são bolos, que num nível máximo de complexidade podem ser customizados e estilizados.


Agora digamos que eu nunca fiz bolos profissionalmente e que ainda não sei se os custos com ingredientes e preparo serão inferiores a ponto de eu obter lucro com a venda dos bolos. Este é um conceito que eu terei que provar antes de iniciar a produção, logo, testar a receita é uma prova de conceito.


O visual dos bolos, número de camadas e design em geral também são extremamente importantes para validar se as expectativas dos clientes serão atendidas. Uma forma simples de ter essa validação sem ter que preparar e decorar o bolo por completo - correndo o risco de o cliente não gostar e tudo virar perda de tempo e dinheiro - é fazer um protótipo. Neste caso, eu posso fornecer ao meu cliente um desenho de como planejo entregar o bolo, para que ele faça sugestões e modificações antes da produção.


Por fim, digamos que o meu forno atual ainda não tem capacidade para fazer bolos grandes e complexos, porém eu já quero começar a vender versões mais simples de bolo, até mesmo para verificar se na minha região as pessoas compram este tipo de produto. Nesta situação, eu posso adotar um MVP (minimum viable product ou produto mínimo viável), ou seja, vender versões reduzidas e possíveis de executar do bolo, como cupcakes, por exemplo. Quem sabe eu já começo a ganhar algum dinheiro para investir num forno maior, que vai possibilitar a produção de bolos mais complexos?


Ficou mais simples de identificar as diferenças? Recapitulando:


1) Prova de conceito está intimamente ligada ao teste de alguma tecnologia ou conceito que precisará ser utilizado para entregar o produto final. Alguns outros exemplos de outras realidades: É possível desenvolver funcionalidade X na linguagem Y? É possível integrar sistema A com B?


2) Protótipo é uma visão simplificada do produto a ser desenvolvido para validar a aceitação do usuário. Podemos ter protótipos super simples, até os mais tecnológicos e fiéis ao produto a ser entregue, porém, vale ressaltar que o protótipo não é algo funcional e por isso não pode ser comercializado como o produto.


3) MVP é a versão mais simples e possível do produto a ser entregue, sendo um produto funcional e completo por si só. Este conceito pode ser utilizado para validar, com mais rapidez e menor custo, o fit de mercado de um produto e garantir a evolução das próximas versões baseadas no feedback de uso real dos usuários.


Além disso, para todos os casos, vale ressaltar que o nível de complexidade vai aumentando entre a POC, protótipo, MVP e produto final, sendo esse um outro fator importante na decisão da estratégia de validação a ser seguida. É possível também usar técnicas menos complexas para validar componentes de uma entrega mais complexa, como: ter um MVP, protótipo ou POC do produto final; ter um protótipo ou POC do MVP; ou ainda ter uma POC de alguma parte do protótipo.


Para finalizar, independente da estratégia, manter o caráter de experimentação é fundamental. Já que agilidade significa responder às mudanças, estratégias de validação servem para conseguirmos adaptar o plano de execução mais rápido e de maneira mais assertiva a partir desse olhar experimental.


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